Profissões raras lutam por um lugar no mercado

Pedro Valentim, um jovem sapateiro que contribui para que uma das profissões mais antigas e raras do mundo não desapareça, põe em prática técnicas artesanais no concelho do Cartaxo desde 2003.

Hoje em dia, muitas profissões que outrora vingaram na sociedade e eram o ganha-pão de muitas famílias são vistas como ultrapassadas, fora de moda, e estão condenadas à extinção. Com a revolução industrial os empregos que, até então, requeriam trabalhos manuais foram substituídos pelas máquinas industriais. A produtividade aumentou, com a capacidade de produzir grandes quantidades e com grande rapidez e eficácia, o que se traduziu num lucro para o patronato, mas o preço a pagar foi a perda de postos de trabalho. Entre modernizações e a criação de novos postos de trabalho, como no sector terciário, a população acabou por perder o interesse em profissões envelhecidas.

Ferrador, cantoneiro, carpinteiro, amola-tesouras, entre outras, embora raras, estas profissões são necessárias, e ninguém melhor do que Pedro Valentim para o poder confirmar, visto que com apenas vinte e quatro anos vinga na área de reparação de calçado. Pedro revelou ao Experimental que este gosto pelo calçado não foi, essencialmente, espontâneo, mas foi-lhe incutido pelo seu pai, que lhe ensinou tudo o que tinha aprendido com Lúcio Valentim, avô de Pedro. O jovem diz que o seu avô «era um sapateiro à antiga». «O meu avô fazia sapatos à mão e apenas utilizava os materiais básicos existentes na altura, como por exemplo, em vez da cola, que hoje em dia é indispensável para as novas gerações como eu, ele usava massa de sapateiro caseira», conta. Curioso é que quem seguiu as pisadas do velho sapateiro não foi o filho, mas sim o neto, talvez pelo facto de em jovem ter sido obrigado a ajudar o avô nas suas tarefas.

Ao longo de seis anos, o jovem sapateiro já abriu quatro estabelecimentos e, mais recentemente, investe na produção de calçado artesanal, pois afirma que «esta é uma área pouco explorada». Pedro Valentim confessa esperar «continuar a investir nesta profissão» e explica que é um ofício que não é fácil de aprender e é difícil de encontrar alguém que o ensine. Ainda assim, reconhece que é precisamente o facto do seu ofício ser raro que lhe dá margem para lucro. O jovem partilha com O Experimental que «o problema não é a procura, mas sim a falta de profissionais nesta área».

Ana Filipa Custódio e Marília Paiva

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