Nobel português chega ao cinema

 Ensaio sobre a cegueira, a adaptação cinematográfica do romance de José Saramago, estreou em Portugal no dia 13 de Novembro. Fernando Meirelles, o aclamado realizador brasileiro de filmes como A cidade de Deus ou O fiel jardineiro, dá-nos a conhecer uma cidade que, devido a uma misteriosa epidemia de cegueira, se vê às escuras.  

 O surto começa por manifestar-se num único indíviduo, alastrando-se pela restante população. Julianne Moore interpreta a única personagem que, por amor ao seu marido (Mark Ruffalo), finge estar cega e tentará conduzir um grupo para fora da cidade.

“Argumentos, realização e edição, achei excelentes. Não falo da mensagem em si porque a considerei bastante flexível e aberta. Todo o filme é uma bomba de metáforas e simbolismos que te faz pensar e viajar sobre vários temas, onde a cegueira pode ser interpretada de diferentes formas”, diz Marco Maurício, estudante de Ciências da Comunicação, à saída da sala de cinema. Também Andreia Tanganho salienta que “o filme é o oposto do livro, no sentido em que não é muito descritivo. No entanto, a história cinematográfica não difere muito do mesmo”.

 
Prémio Nobel em 1998, José Saramago deu a conhecer ao mundo a literatura portuguesa. Também galadoardo com o Prémio Camões (1995), o escritor é autor de obras como O memorial do convento, O evangelho segundo Jesus Cristo ou Intermitências da morte.

 
Ensaio sobre a cegueira, de Fernando Meirelles, abriu o 61º Festival de Cannes, atraindo imediatamente a atenção dos críticos. Justin Chang, crítico da “Variety”, apesar de achar o filme “impressionante”, refere que “o drama astuciosamente trabalhado de Fernando Meirelles raramente alcance a força visceral, a amplitude da tragédia e a ressonância humana da prosa de Saramago”. Uma opinião divergente é a de Peter Bradshaw do jornal britânico, “The Guardian”, que afirma que “Meirelles fez um trabalho de mestre”.

 
A obra cinematográfica de Meirelles estimula a reflexão crítica e um ponto de vista subjectivo, em que “cada pessoa sai do cinema com interpretações diferentes”, observa Ana Catuna, estudante de Ciências da Comunicação. Apesar de tudo, Ensaio sobre a cegueira caracteriza-se por ser “uma parábola sobre a fragilidade da civilização e a facilidade com que se derrubam valores aceites pelas sociedades avançadas”, explica o realizador.

 
Alexandre Pereira |Cátia Marreiros

Uma resposta to “Nobel português chega ao cinema”

  1. Escolástica da Conceição Says:

    Bue’d’fixe! Continuem com o blog, pessoal! Acho fantástico o vosso trabalho…

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